Minha história

Minha história com a acne começa na minha adolescência. Como acontece com a maioria dos jovens, nessa época a acne é tratada como algo normal da faixa etária e pouca atenção é dada por médicos e especialistas. E naquela época, eu nunca tinha ouvido falar de rotinas de skincare, nunca pensei em usar filtro solar ou creme hidratante e o único "tratamento" eram os adstringentes a base de álcool da Clean&Clear. Receita para o desastre!

Aos 17 anos, uma mudança de país mudou minha pele: a oleosidade diminuiu, mas assim que a pele se acostumou ao novo clima, os problemas começaram a aparecer novamente. Dessa vez, com o acesso à dermatologistas e produtos diferenciados, eu comecei a ter uma rotina de cuidados mais especial e tomei, pela primeira vez, o famigerado Roacutan (a isotretinoína, medicamento fortíssimo contra a acne). Eu acreditava que esse seria o fim da história, que depois disso as espinhas nunca voltariam...

Durante todos esse anos (dos meus 15 aos 22 anos) eu tomei anticoncepcional. O fato de que mesmo com esse tipo de medicamento minha pele ainda mostrava sinais de desequilíbrio hormonal não alertou nenhum médico, tanto dermatologistas quanto ginecologistas. Para eles, eu ainda era muito nova e minha pele iria se curar naturalmente sozinha. Eu tive altos e baixos, e em geral, não fazia nada de especial para cuidar da minha pele.

Até que no começo do ano de 2015, tudo mudou: meu quadro de acne vinha piorando rapidamente nos últimos meses e comecei a sofrer com grandes e dolorosas espinhas internas. Depois de uma limpeza de pele que deu errado, essas espinhas se espalharam para todo meu rosto! Acabei encontrando uma dermatologista de emergência e corri para o consultório, onde tomei várias injeções (sim, nas espinhas!) para controlar a inflamação. Foi quando comecei o tratamento com o Roacutan pela segunda vez e também na mesma época, mudei de país novamente...

O tratamento durou 4 meses: minha pele ficou limpa! Mas o resultado duraria pouco: nessa época, eu parei de tomar o anticoncepcional. Por vários motivos, a pílula não me fazia bem! Foi uma decisão difícil, pois eu sabia o que poderia acontecer com a minha pele. A acne foi voltando aos poucos, e de repente me vi numa situação que eu já não podia controlar.

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Em um país novo, com um idioma que eu não conhecia e outras prioridades tomando conta do meu tempo, eu fiz o que pude para curar minha acne sozinha. Quando percebi que nada estava funcionando, procurei mais um dermatologista. Ele não hesitou em me passar outra vez o Roacutan - mas ele mesmo disse que as acnes voltariam alguns meses depois do tratamento. Dito e feito! Elas voltaram, e meu dermatologista me confessou que ele não poderia me ajudar. Ele suspeitava que minha acne vinha de uma alergia a certos tipos de alimentos, e que eu deveria fazer testes de alergia. Ele também suspeitava de que algumas dessas acnes eram causadas por um tipo de foliculite, doença qual, segundo ele, não tinha cura.

Com o orçamento apertado, eu não tinha possibilidades de me consultar com um alergista nem fazer o teste de alergia de alimentos. Em vez disso, eu mergulhei de cabeça em fóruns, vídeos e comunidades na Internet em busca de uma solução. Passei noites em claro traduzindo estudos, analisando depoimentos de outras pessoas que sofriam do mesmo problema que eu e comecei a entender, aos poucos, a minha doença.

Descobri que o que eu tinha era acne fúngica, ao mesmo tempo que sofria de acne hormonal e espinhas causadas por intolerâncias a certos alimentos. Era muita coisa para processar, e foi difícil decidir por onde começar! Mais tarde entendi que a foliculite da qual meu último dermatologista falava, nada mais era do que a acne fúngica. Eu precisei mudar não só minha rotina de cuidados com a pele, mas também minha alimentação e meu estilo de vida. Foram anos difíceis de altos e baixos, melhoras e rebotes, de testes intermináveis e muitos estudos.

Hoje, eu quero compartilhar com você tudo que aprendi até aqui, tudo que funcionou e me trouxe ao controle da acne. A acne é uma doença crônica, mas é possível controlá-la. E você também pode deixar de sofrer por ela!

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